Os procedimentos estéticos têm apresentado um significativo crescimento nos últimos anos, impulsionados pela intensa influência dos padrões de beleza, juntamente com a valorização da aparência são difundidos pela sociedade e através das redes sociais. Embora grande parte dessas intervenções seja realizada de forma segura, observa-se também o aumento de procedimentos estéticos clandestinos, frequentemente associados ao uso de substâncias inadequadas, à atuação de pessoas sem habilitação profissional e à realização em locais sem condições sanitárias adequadas. Nesse contexto, as mulheres trans constituem um dos grupos mais vulneráveis, uma vez que enfrentam barreiras relacionadas à exclusão social, à transfobia, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à busca pela afirmação de sua identidade de gênero. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva compreender de que maneira a pressão estética, os padrões de feminilidade e as vulnerabilidades sociais, econômicas e institucionais influenciam mulheres trans a recorrerem a procedimentos estéticos clandestinos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e documental, estudo de casos reais amplamente divulgados pela mídia, entrevistas semiestruturadas com mulheres trans e análise de relatos. Os resultados parciais indicam que a procura por procedimentos clandestinos não pode ser compreendida apenas como uma escolha individual, mas como consequência da interação entre pressão estética, discriminação, dificuldades de acesso a procedimentos seguros, exclusão do mercado de trabalho, vulnerabilidade econômica e desinformação. Os casos analisados evidenciam que essas práticas podem ocasionar infecções, necroses, deformidades permanentes, embolias e mortes evitáveis, configurando um importante problema de saúde pública. As entrevistas reforçam que, para muitas mulheres trans, a busca por modificações corporais está relacionada ao reconhecimento de sua identidade, à autoestima e à inserção social. Espera-se que esta pesquisa contribua para ampliar o debate científico sobre os impactos da pressão estética, incentivar escolhas mais seguras e promover o respeito à diversidade e aos direitos da população trans.